terça-feira, 13 de março de 2012

Aceitação.

Dizem que existem 5 fases do luto:  Negação, Raiva, Negociação, Depressão e Aceitação. Isto quando uma pessoa morre. Não morreu ninguém! Mas quando um amor acaba, ou uma das pessoas acaba com ele, é igual. Devemos fazer o luto e só depois continuar em frente. Por isso tenho andado afastada daqui, porque precisava de fazer o luto para mim mesma e para ele, para poder seguir em frente e não me tornar uma amargurada. Passei pela fase da negação em que dizia que era só uma fase, que ele estava no hospital ou que tinha perdido o telefone. Passei pela raiva em que lhe liguei pelo menos dez vezes, me enchi de ódio dele, e em que lhe inventei pelo menos 10 insultos novos. Experimentei a fase da negociação em que disse a todas as pessoas que não queria mais ninguém e que ia ficar solteira para o resto da vida. E logo de seguida veio a depressão, dormi durante 14h seguidas de cansaço, bebi as garrafas de vinho que haviam cá por casa, desliguei os telemóveis e passei o dia a olhar para a televisão, numa espécie de estado de alienação como se tivesse tomado todos os anti-depressivos deste mundo e ainda estivesse com uma "grande moca". Neste momento, toda eu sou aceitação. Já pensei em ir atrás dele, em obrigá-lo a falar comigo. Mas para quê ? Ele fez a escolha dele, e eu tenho que fazer a minha. Neste momento escolho-me a mim mesma. Saiu da minha vida por que quis, porque achou que era o melhor para ele. Não me deu qualquer satisfação, limitou-se a um "Desculpa querida... mas não dà..." exactamente desta forma. Portanto, aceitei que deveria ser assim e deixei-o ir, pois ao ficar com ele, correria o risco de me perder a mim mesma, e não quero isso, não quero acordar olhar-me ao espelho e ver uma pessoa que não sou. Com ele nunca tive a oportunidade de ser eu. Nunca me pude mostrar intensa, sonhadora, ciumenta. Nunca pude mostrar o meu lado inseguro. Nunca pude ser a mulher que as vezes não se quer maquilhar e quer andar de fato de treino o dia todo. Para ele tinha que me colocar sempre num pedestal e ser perfeita o tempo todo. E quem é que consegue ser perfeita o tempo todo? Ninguém. Se calhar foi isso que o assustou, a minha devoção para com ele, a minha intensidade, e fugiu que nem gatinho assustado. E agora sou eu, eu mesma, todos os meus planos. Posso respirar de novo e ser aquilo que quero ser, sendo eu mesma.
Se me lês neste momento, desejo-te toda a felicidade do mundo e sobretudo que encontres alguém que consiga viver nesse pedestal, mesmo que tu nunca olhes para ele. 


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